Brasileiro gosta de parcelar, diz Louis Vuitton

02 set Brasileiro gosta de parcelar, diz Louis Vuitton

A recessão no Brasil e a desvalorização do real reduziram o número de milionários no país, mas o interesse dos consumidores por artigos de luxo da Louis Vuitton, marca francesa pertencente à Möet Hennessy Louis Vuitton (LVMH), não diminuiu. Em visita ao país, Anthony Ledru, presidente da Louis Vuitton América do Norte, disse que as vendas para brasileiros “vão bem” no mercado local e nas lojas da marca no exterior.

“Ainda vemos muitos brasileiros comprando em Nova York, Paris, bem como nas lojas existentes no Brasil”, afirmou. Segundo Ledru, os clientes brasileiros não comparam tanto o preço no exterior e no país. Mas preferem parcelar o pagamento, o que só é possível no Brasil. “Essa é uma prática muito comum no país e apreciada pelos clientes”, acrescentou. A Louis Vuitton oferece vendas parceladas no cartão de crédito, em 3 a 10 vezes sem juros, dependendo do valor da compra.

Sem citar números, o executivo disse que as vendas crescem no mercado brasileiro. A Louis Vuitton possui seis lojas, em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba, além de um site de comércio eletrônico. Ledru disse que, devido à dificuldade de fazer reajustes em linha com o câmbio, que varia muito, os produtos nos pontos de venda no país têm preços pouco abaixo da média praticada no exterior. “É uma diferença pequena, que não chegou a causar uma grande procura nas lojas”, ponderou.

De acordo com a consultoria Euromonitor International, o mercado de produtos de luxo cresceu 1,7% em 2015 em moeda constante no Brasil, chegando a US$ 3,19 bilhões. A Louis Vuitton é a segunda marca mais vendida, perdendo para a Calvin Klein, da Phillips-Van Heusen Corporation (PVH Corp).

O mercado de luxo cresceu 4,1% no ano passado no mundo, para US$ 317,47 bilhões. A Louis Vuitton é a maior marca do segmento em vendas, com receita anual próxima de € 9 bilhões (US$ 10,0 bilhões), de acordo com a Euromonitor.

A LVMH não divulga balanços por marca, nem por país.

No primeiro semestre deste ano, a receita do conglomerado LVMH cresceu 3%, chegando a € 17,19 bilhões. Em volume, houve incremento de 4% nas vendas do período. O lucro líquido da LVMH ficou estável em € 2,96 bilhões.

Ledru ponderou que a Louis Vuitton, como outras marcas internacionais, teve perdas de receita no Brasil e em outros mercados emergentes por conta da desvalorização da moeda local em relação ao dólar e ao euro. “Não há como reajustar os preços tão rapidamente quanto a oscilação das moedas. O ano passado foi mais difícil. Neste ano, a oscilação do real tem sido menor”, disse o executivo.

Em relação à recessão, Ledru afirmou que o país mantém fundamentos que atraem investimentos das marcas de luxo no longo prazo. “A população continua crescendo e tem potencial de expansão do consumo e da economia. A questão não é se o país vai reagir, mas quando”, disse Ledru.

Mesmo com esse otimismo, a Louis Vuitton não tem planos de abrir lojas no país. “O objetivo no momento é maximizar as operações que a marca já possui no país”, afirmou Ledru. Ele acrescentou que a marca já poderia ter 10 ou 12 lojas no Brasil, considerando o potencial de vendas no país.

O Brasil é a nona maior economia do mundo, aponta o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas é o décimo sétimo país com mais milionários. Segundo a Capgemini, o número de brasileiros com fortuna acima de US$ 1 milhão (excluindo propriedades, carros ou quadros) caiu 8% em 2015, para 149 mil pessoas.

Fonte: Valor Econômico.

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